Domesticar e tantalizar sobre a naturalização dum mal-entendido

1-07-2021

O Instituto Superior de Altos Estudos e Negócios (ISAEN), uma unidade orgânica da Universidade Politécnica, lançou, quinta-feira, 01 de Julho, em Maputo, a segunda edição do Programa de Doutoramento em Estudos de Desenvolvimento, sob o lema “Domesticar e tantalizar sobre a naturalização dum mal-entendido”.

 

Trata-se de um programa que vai decorrer no sistema híbrido, devido à pandemia da Covid-19, tendo sido criadas as condições necessárias para a produção de conhecimento, cujas teses serão publicadas em revistas científicas.

 

O vice-reitor da Universidade Politécnica, Cristiano Macuamule, referiu que a segunda edição do programa de Doutoramento em Estudos de Desenvolvimento está associada a vídeo-conferências, para salvaguardar o ciclo mais alto de formação, apesar da pandemia que impõe a massificação do sistema híbrido, no processo de ensino e aprendizagem.

 

“Existem hoje ao nível do país e do mundo, várias universidades com este nível e vocês escolheram A Politécnica para fazerem o vosso doutoramento. O nosso compromisso é de oferecer as melhores condições possíveis e um ambiente académico adequado e que permita que obtenham sucessos nos vossos estudos. O programa exige muita leitura e estudo”, referiu o vice-reitor.

 

Por sua vez, o chanceler da Universidade Politécnica, que é igualmente coordenador do programa de Doutoramento em Estudos de Desenvolvimento, Lourenço do Rosário, apelou aos doutorandos para uma reflexão sistemática que possa ajudar a governação de vários sectores de empresas e organizações, com vista ao alcance de uma massa pensante que contribua para o desenvolvimento do país.

 

“Ao longo dos 46 anos como país independente, houve muitos ensaios sobre o rumo de desenvolvimento em várias áreas, por isso é que este doutoramento é transversal no que diz respeito ao desenvolvimento. A vossa preocupação deve ser quando começarem a pensar nos vossos postos de trabalho, que é onde precisamos, de facto, de alicerces. Não podemos construir um edifício sem que seja a partir da parte que o suporta”, explicou Lourenço do Rosário.

Mário Cossane, representante da turma, da primeira edição do programa de Doutoramento em Estudos de Desenvolvimento, enalteceu o papel da universidade Politécnica na forma como encarou os desafios impostos pela Covid-19, tendo encorajado os estudantes a assumirem os obstáculos da educação em Moçambique, como a sua bandeira de desenvolvimento institucional.

“O programa representava um incomensurável desafio, a burocracia, a meio com a Covid-19. Nestes termos, vale a pena, mais uma vez, felicitar a A Politécnica por nunca ter desistido do seu desiderato, mesmo quando as dificuldades apontavam para um porto do qual o canal não possuía nenhum farol de sinalização”, explicou o representante da primeira turma. 

Em formato virtual, o orador da aula inaugural, que interveio a partir da Universidade de Basileia, na Alemanha, Elísio Macamo, disse que os doutorandos podem-se inspirar no programa de Desenvolvimento que está a decorrer em Moçambique, denominado Sustenta, uma vez que este baseia-se na agricultura que é a base de desenvolvimento do país.

 

“O que liga estes conceitos é justamente a minha relação ambígua com o desenvolvimento. Um curso de desenvolvimento tem também coisas subversivas, sobretudo no quem o faz. O estudante tem que aprender a questionar os conceitos e nunca dar o seu sentido por adquirido. Eu uso a naturalização e domesticação como uma metáfora para descobrir e descrever uma condição estrutural que consiste na nossa integração no mundo e num sistema económico que outros construíram à sua maneira para satisfazer as suas necessidades”, concluiu Elísio Macamo.

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